Gestão do SO₂ da vindima ao engarrafamento: livre, molecular e a matemática de cada adição
O dióxido de enxofre é o aditivo mais importante da adega e o mais mal gerido — quase sempre porque se está a olhar para o número errado. O SO₂ livre é o que a análise reporta, mas é o SO₂ molecular que de facto protege o vinho, e os dois só se alinham quando se traz o pH para a equação. Este é um percurso prático do SO₂ da vindima ao engarrafamento: as frações, os alvos e a aritmética de cada adição.
Combinado, livre e molecular — três coisas diferentes
O SO₂ total é tudo o que adicionou. A maior parte liga-se quase de imediato ao acetaldeído, aos açúcares e aos pigmentos e torna-se SO₂ combinado — ainda contado, mas já inativo. O que resta é o SO₂ livre, e só uma pequena fração desse livre existe como SO₂ molecular, o gás não ionizado que é antimicrobiano e antioxidante.
- SO₂ total — livre + combinado. Limitado por lei (varia com o tipo de vinho e o mercado).
- SO₂ livre — a reserva disponível para proteger o vinho; o que a maioria dos laboratórios reporta.
- SO₂ molecular — a fração ativa, definida pelo SO₂ livre e pelo pH. É este o número que importa.
Porque o pH é metade da equação
A parte do SO₂ livre que é molecular desaba à medida que o pH sobe. A pH 3,0 cerca de 6% do SO₂ livre é molecular; a pH 3,6 fica abaixo de 2%. Ou seja, os mesmos 30 mg/L de SO₂ livre que protegem à vontade um branco fresco podem deixar um tinto de pH alto praticamente desprotegido. Um alvo protetor comum ronda 0,5–0,8 mg/L de molecular — o que significa que o SO₂ livre necessário não é um número fixo, é uma função do pH.
A fórmula: SO₂ molecular = SO₂ livre ÷ (1 + 10^(pH − 1,81)). Rearranjada, SO₂ livre necessário = molecular alvo × (1 + 10^(pH − 1,81)). A pH 3,5, atingir 0,5 mg/L molecular exige ≈ 25 mg/L livre; a pH 3,7 exige ≈ 39 mg/L.
Alvos ao longo da vida do vinho
- À vindima — uma dose modesta (ou nenhuma, em alguns tintos e vinhos de perfil natural) para travar a oxidação e a flora selvagem enquanto a levedura se instala. Nunca sulfitar a fundo antes de uma malolática desejada.
- Após a fermentação malolática — o primeiro alvo real de SO₂ livre, depois de as bactérias terminarem, para fixar a estabilidade.
- Durante o estágio — reforçar para manter o alvo molecular à medida que o SO₂ se combina e evapora; verificar periodicamente, não uma só vez.
- Ao engarrafamento — o ajuste mais importante: fixar o SO₂ livre para manter o alvo molecular ao longo da vida comercial do vinho, contando com a quebra após filtração e enchimento.
Converter o alvo em gramas
Sabido o SO₂ livre a adicionar, a quantidade de produto depende da sua riqueza: o metabissulfito de potássio tem ~57% de SO₂, o de sódio ~67%, e uma solução percentual são gramas de SO₂ por 100 mL. Para uma cuba, multiplique o aumento de SO₂ livre (mg/L) pelo volume (L) para obter os miligramas de SO₂ puro e divida pela fração do produto. A calculadora pública faz isto — e a conversão pH → molecular — num só passo.
Calcule a adição exata de SO₂ livre, o SO₂ molecular ao seu pH e o peso de produto — grátis, sem registo.
Abrir a calculadora de SO₂Um número só serve se o voltar a encontrar. No GrapeFlow cada adição de SO₂ fica registada no lote com a data, para que os reforços de estágio e o ajuste de engarrafamento construam um registo pronto para auditoria ou recall.
Estas são orientações de planeamento. Confirme sempre com a sua análise, os limites legais de SO₂ total para o seu vinho e mercado, e ensaios de bancada antes de dosear uma cuba.
Put this into practice — every addition tracked against the lot.
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